- Inspirado pelas primaveras estudantis pelo Clima que evoluíram de forma mais intensa principalmente a partir de 2019, fenómeno que levou a desenvolvimentos em muitas pessoas que a partir dessas experiências depois encontraram a sua forma de lutar, por vezes antagónicas entre umas e outras. Poema em diálogo com Baladas da Despedida de Coimbra, onde a poetisa amadora estudou. Originalmente publicado em Dezembro de 2023.
Primavera I
Deixaram cair uma flor adormecida;
morta pela seca de verão de maio,
e Abril desgastado.
Foi artificial, foi negado;
Foi intenção levada ao esquecimento
pelo tempo gasto em sistema que lucra do cansaço.
Queimaram a floresta da flor adormecida,
foi fogo que se fez apressar
ficaram cinzas: saudades que nunca irão nascer
num mundo a arder.
Haverá agua para poder chorar?
Onde estão as recordações de que o passado falou?
Brotou a Primavera Estudantil
para insistir em ter a estação primaveril.
Fertilizada em crítica de décadas por outros romantizadas
Brotada do receio de embarcar num futuro incerto
Movimento de convergências cheio de divergências.
Cada gota uma pessoa;
E ao divergente de mim, exclamo:
– Dá-me a mão – seremos onda em oceano
(ácido).
Sentes que o tempo acabou?